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Tive minha primeira grande perda quando tinha somente 8 anos, com a morte de meu pai. Lá, com o pouco de estrutura emocional que uma criança desta idade possui, tive que aprender a lidar com o final definitivo.
Durante anos, em diversos momentos, quis acreditar que tudo havia sido um engano, uma ilusão. Que na verdade ele estava vivo e voltaria para casa em algum momento. Com o tempo eu tive que aceitar que a perda era definitiva.
De lá para cá, perdi mais pessoas do que gostaria. Avós, parentes e conhecidos. Nunca foi fácil, mas aquela primeira experiência lá trás ajudou muito a suportar e dar suporte nessas situações. Mas infelizmente ela não serve para todos os casos.
Como lidar com a perda definitiva de uma pessoa querida ainda viva? Como lidar com o afastamento compulsório e inevitável de uma pessoa que você quer bem e que te quer bem, que está próxima, mas ao mesmo tempo inacessível?
Por vezes optamos por caminhos em nossa vida que geram conseqüências inevitáveis, independentes de boas ou más intenções. Estas poderiam ser evitadas com uma abordagem diferente da questão, mas nem sempre somos sábios o suficiente para enxergar as coisas da forma correta e real. Resta o aprendizado com os erros.
Por vezes estas conseqüências se cristalizam de tal forma que por mais que você analise, por mais que você procure um jeito, não consegue encontrar uma forma de reverter ou, no mínimo, atenuar a situação.
Talvez possa ser uma questão de tempo. Talvez possa ser uma questão de encontrar uma nova abordagem. Talvez seja apenas uma questão de entendimento. Mas talvez não. Já vi melhores amigos que se afastaram por mais de 40 anos, que tentaram se reaproximar de várias formas, mas que até hoje não conseguiram.
Passei anos querendo acreditar que meu pai voltaria, mas não voltou. Só consegui superar o ocorrido e tocar meu caminho com a aceitação da inevitabilidade do absoluto.
É uma pena. Se ainda fosse católico, poderia contar com um milagre escondido na manga.
