Bom, semana passada recebi novamente o link do vídeo da Susan Boyle, desta vez pela Dani, esposa do Marcos (ela o assistiu em uma igreja em Londres), e neste final de semana tive uma boa conversa sobre o assunto com o Rique .

O que falar sobre o fenômeno instantâneo que tomou posse da internet? Deste grande hype praticamente onipresente? Bom, posso falar que tenho sentimentos controversos quanto a ele (o hype, não a Boyle).

Não me interpretem mal. Vejo esta história toda como uma metáfora. Uma parábola de como as coisas poderiam ou deveriam ser. Não tiro o mérito da Boyle, mas debato a visão que as pessoas acabam tendo do vídeo.

Primeiro é necessário entender como eu assisti ao vídeo. Sabia de antemão que veria algo diferente, mas não sabia se bom ou ruim. Quando a Susan Boyle entrou no palco, pensei: ok, uma senhora mais velha, vestida de forma normal, relativamente feia para o padrão de beleza estipulado pela mídia. Não muito diferente de milhares de outras pessoas que vejo nas ruas todos os dias. Um pouco inocente e aparentemente ligeiramente desajeitada com o palco, mas perfeitamente compreensível para uma pessoa vinda do interior. Não a pré julguei de cara, apenas esperei para ver o que ela tinha para mostrar. Além disso, não estava tão imerso no vídeo como um todo, pois estava trabalhando enquanto o assistia. Talvez por isso meu choque não tenha sido tão grande e passei a analisar o vídeo de outra forma.

E não consigo vê-lo sem analisar o que ele é.

Todas as pessoas que participam destes shows de calouros passam por uma seleção prévia. Ninguém é louco de colocar alguém no palco sem saber o que esta pessoa irá fazer. É bem possível que os jurados soubessem de antemão o que iriam ver, então acredito que boa parte da surpresa deles é apenas teatro.

A produção toda é montada para te comover (comover no sentido de mover junto), por isso as câmeras inicialmente focam nos espectadores repudiando e depois se exaltando quando a Susan começa a cantar. Isso induz a quem vai assistir ao vídeo a copiar as emoções expostas. Mesmo a letra da música reflete na história que você está vendo, como um musical da Disney.

Mesmo a música de fundo, se for analisada, casa perfeitamente com os pontos certos para aumentar o seu envolvimento emocional. Como em um filme, ela pontua a emoção que quer ser transmitida.

Já em termos vocais, analisei o trabalho da Susan Boyle junto a dois amigos musicistas. Um deles fez uma análise em termos técnicos (já que trabalha com mixagem de som), e colocou que dificilmente o que estamos escutando foi exatamente o que ela cantou. Atualmente existem milhares de recursos para melhorar a voz em palco e em pós produção. Já a segunda análise foi no quesito vocal: apesar de cantar direitinho, ser tecnicamente afinada, a música que ela escolheu possui uma janela tonal muito pequena, o que torna a execução mais simples. Não foi uma música complexa, mas sim, foi executada de forma boa. Susan Boyle não é excepcional, somente bem competente, pelo menos no que vi.

Mas mesmo colocando na dimensão correta (ou que pelo menos eu considero correta), ainda assim acredito que em termos de história e conceito para a vida, é algo bonito de se pensar e analisar no nosso dia a dia. Serve para refletirmos quantas pessoas com potencial enorme para tanta coisa descartamos a uma primeira vista e como podemos atingir objetivos que parecem irreais se nos esforçarmos e acreditarmos em nós mesmos.

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