Onibus_Flamejante

Resolvi escrever algo por conta do que ocorreu ontem.

Não é a questão de eu gostar ou não do futebol como esporte, na verdade nunca gostei, desde moleque. Sempre achei um esporte chato, com objetivos pífios e com uma dinâmica pobre (em termos de esporte). Prefiro muito mais assistir ou jogar vôlei ou basquete.

Mas a questão que me faz ter repúdio pelo esporte, pelo menos aqui no Brasil, é todo o “pacote” que vem junto com ele. Não é mais um esporte, mas uma comoção social. Mais que uma comoção, é o circo que alivia a tensão das massas e nisso eu acho tão nocivo quanto qualquer forma de manipulação religiosa.

Em algum lugar em um passado distante, o futebol possuía um glamour, o charme do herói solitário que com sua agilidade, esperteza e por vezes malícia driblava os adversários e alcançava seu objetivo. Atualmente ele virou uma mega empresa e em alguns casos grife e modismo. Assustei outro dia quando em um pet shop encontrei uma sessão inteira de coleiras e guias com o símbolo do Corinthians.

Por conta do primeiro link que coloquei acima, debati um pouco o assunto com o Mauro. Definitivamente é um absurdo a inversão de valores. Pare e reflita por um segundo: é um esporte aonde as torcidas precisam de escolta policial para chegar ao estádio. É necessária uma logística de rotas e tempos de chegada para evitar problemas e o Estado precisa se mobilizar para isso. É normal achar que não existe nada de errado com esta constatação?

Não entendo essa rivalidade declarada. Esta formação de guetos com base em escolha de times. Essa idolatria por um time, torcer e morrer por um bando de jogadores que não tem a mínima idéia da existência dos torcedores como indivíduos únicos. O conceito todo me escapa à lógica.

Não sei, talvez eu não tenha a abrangência de pensamento para entender por que o futebol é tão bom assim, mas consigo entender que algo que causa em alguns momentos este caos social, em uma proporção absurda (nem vou relembrar o evento de destruição na Avenida Paulista causado pelos torcedores do São Paulo), possui algum elemento básico que está muito fora do lugar.

Mas como falei anteriormente, talvez seja somente um reflexo, uma válvula, um meio da massa extravasar toda a sua fúria e frustração. Talvez. Mas para mim, não deixa de ser algo ridículo e deprimente.

Rápido update: a aplicação da metonímia como figura de linguagem se faz necessária para a compreensão correta do texto. E “metonímia como figura de linguagem” foi um pleonasmo.

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