Aconteceu agora a pouco. Uma dessas peculiaridades de São Paulo, mas que chega a beirar o ridículo.

Hoje, por conta da chuva e da véspera do feriado, tivemos mais um dia de trânsito caótico na cidade. Resolvi encarar o congestionamento mesmo assim para ir ao treino de Aikido.

Cheguei na Teodoro Sampaio e eis que surge o meu ônibus predileto: o Aclimação, que sobe até a Doutor Arnaldo, corta a Av. Paulista inteira e me deixa a meio quarteirão da minha casa. Pena que hoje eu teria que saltar dele antes para chegar no meu treino, mas não imaginava que teria que saltar tão antes.

Trinta minutos foi o tempo que o ônibus demorou para subir meia dúzia de quarteirões e cruzar a Henrique Schaumann. Tudo absolutamente parado. Resolvo descer e caminhar até o dojo na esperança de conseguir treinar.

Subi a Teodoro até o metro Clínicas, atravessei por trás do Hospital, cruzei a passarela da Rebouças, passei ao lado do O´Malleys e consegui chegar na Augusta, mas já estava bem atrasado. Até entrar e me trocar, já teria perdido mais de um terço do treino. Ainda arrisquei ir até o dojo e dar uma olhada, mas pelas janelas já dava para ver que eu havia perdido toda a parte inicial. Desencanei e resolvi subir até a Livraria Cultura.

Lá dentro, fui com calma, passei pela Livraria toda, achei a sessão que eu queria, peguei quatro livros sobre o assunto, folheei-os todos e escolhi dois deles. Passei no caixa e tomei o rumo de casa. Ao sair na frente do Conjunto Nacional vejo a cena mais absurda: a Paulista estava sem trânsito! Resolvi que valeria a pena arriscar pegar outro ônibus ao invés do metro. De cara eu vejo a sorte grande: outro Aclimação! Me deixaria ao lado de casa.

Ao entrar, o susto: era o mesmo ônibus que eu havia tomado antes. Mesmo motorista, mesmo cobrador. Inclusive paguei a passagem novamente (o bilhete único deveria marcar R$ 0,00 na tarifa se fosse outro ônibus, mas cobrou os R$ 2,30). Cinqüenta minutos depois eu pego o mesmo ônibus!!

Mas o absurdo não termina aí. A Paulista estava totalmente liberada e o ônibus veio numa reta só, passando o metro Paraíso em tempo recorde. Da entrada do Conjunto Nacional até a porta do meu apartamento foram exatos nove minutos. NOVE MINUTOS!!!

Definitivamente eu não entendo o trânsito desta cidade. Existem bolsões de caos e de tranqüilidade espalhados de forma aleatória pela malha urbana. Não faz sentido, a não ser que existam singularidades quânticas perdidas por aí.

Anúncios