“Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado: pensava que, somando as compreensões, eu amava. Não sabia que, somando as incompreensões é que se ama verdadeiramente.”
............................................................................................Clarice Lispector


Assim como ocorreu com o Mário Quintana, esta semana foi o texto da Clarice que me seguiu em lugares diversos.

Fiquei pensando sobre o assunto. Certa feita, uma amiga definiu que os relacionamentos funcionam baseados nos defeitos que a outra pessoa tem. Um relacionamento só funciona se os defeitos da outra pessoa são toleráveis. As qualidades são apenas um bônus.

Achei que era uma visão pessimista. Mas mesmo sendo pessimista, acho que ela me levou a refletir sobre o assunto. Cheguei a conclusão de que os relacionamentos funcionam com base nas peculiaridades de cada um e a importância que o outro atribui a elas.

Todos possuem peculiaridades, que podem ser consideradas defeitos ou qualidades dependendo a forma como se encara. A questão é vermos quais destas peculiaridades são importantes para nós, quais achamos ruins e quais são indiferentes. Não creio que exista um parâmetro para definir se algo funciona ou não com base neste critério, pois isso varia de pessoa para pessoa, mas temos que ver o que é interessante para nós ou não.

Como tudo, existem as variáveis que interferem nesta teoria. Pessoas ficam juntas pelos mais diferentes motivos, motivos que variam entre amor, interesse, comodidade, desejo… Mas talvez o fator que mais “atrapalhe” seja um só: o medo.

Muitos têm medo de ficar sozinhos e por conta disso se agarram ao que está próximo como única possibilidade de felicidade e esquecem de duas coisas importantes:
– não precisamos de outra pessoa para sermos felizes. Devemos ser felizes por nós mesmos. Estar com a outra pessoa deve ser uma opção;
– existem 6,5 bilhões de pessoas no mundo. Mesmo se dividirmos este número pela metade, baseado na preferência tradicional de gênero, ainda são mais de 3 bilhões de possibilidades de dar certo.

No final, com ou sem matemática, teorizando ou não, a resposta da equação é simples: temos que ser felizes, não importa a forma que escolhemos para isso. Temos (aparentemente) apenas uma vida, que não é muito longa, para buscarmos a nossa felicidade. Busque-a então.

Anúncios