Penúltimo dia de caminhada: este foi o que tivemos o menor rendimento. A trilha estava bem pesada e estávamos cansados. Logo chegaríamos ao último ponto de acampamento.

Final da trilha pelo rio. Neste ponto, existe uma garganta que não dá para atravessar ou contornar. Quer dizer, pessoas normais. O Lex já arriscou um mergulho nela anos atrás.

A garganta ainda receberia uma visita futura.

Para chegar no nosso último ponto de acampamento, foi necessário o auxílio de uma corda, para subir uma parede de pedra e entrar no meio do mato para chegar numa pequena clareira.

Para o alto e avante!

Chegando na clareira, enquanto as meninas montavam o acampamento, Lex e eu fomos até a beira da garganta para conseguirmos água. Montamos um rapel e descemos a parede reta até o nível do rio. Enchemos os reservatórios e subimos novamente pela corda.

Nesta noite estávamos acabados. Caímos no sono cedo, enquanto nuvens carregadas passavam por nós. Trovejou a noite toda, mas a chuva não chegou a cair.

No dia seguinte, levantamos mais cedo, empacotamos as coisas e toca o caminho de volta. Tínhamos que cobrir todo o caminho e ainda encarar a ladeira acima. Eu estava com uma certa preocupação quanto a conseguirmos fazer todo o percurso de volta a tempo. Toca apertar o passo. Desta vez a caminhada foi realmente puxada.

Subidas em meio às cachoeiras

Pegamos a bifurcação na trilha e começamos a subir o caminho da cachoeira da fumaça. Esse caminho era muito mais íngreme, e enfrentamos uma verdadeira escalada em meio à trilha de terra e lama no meio do mato.

Começo da subida.

Passando por troncos.

Parada para apreciar a vista.

Escalada em meio à mata.

Depois de subir mais de 100 metros de uma baita pirambeira, tendo que manter um espaçamento razoável entre cada pessoa para evitar que pedras soltas pelo caminho acertassem o parceiro imediatamente abaixo, chegamos novamente ao topo da serra, de onde se tinha uma vista ampla de Cubatão e Santos.

E ao fundo, o Atlântico.

Cansados? Imagina...

Ainda faltava mais um último trecho de trilha, que começou bem aberta no leito do rio, mas que depois fechou bastante, passando então para um caminho entre dois paredões de terra, com um córrego de água estagnada e lama correndo abaixo.

As sombras já estavam mais horizontais: o dia começava a acabar.

Ainda tínhamos mais uns pontos de subida para vencer.

Neste ponto, a trilha voltou a ficar mais livre e horizontal e começamos novamente a ganhar rendimento e velocidade. Chegamos com o sol já se pondo ao lamaçal e às linhas de alta tensão com seu zumbido característico. Desta vez não tivemos tanta sorte e nos sujamos inteiros, encharcando botas, meias e calças.

Lá estávamos novamente na estrada (ponto 2) para pegar o ônibus. A noite já estava escura. Estávamos sujos e fedendo a lodo. Trocamos as roupas lá mesmo, no meio fio, correndo pois o ônibus já estava chegando. As “botas de astronauta” receberam um fim não tão honroso, depois de sobreviverem a volta da trilha toda, sendo jogadas numa pilha enorme de lixo na beira da estrada.

Chegando novamente em Rio Grande da Serra, uma pausa antes de pegar o trem de volta para São Paulo, em um boteco com uma boa cerveja gelada.

Alimento de campeões, ou não.

No dia seguinte, um sorriso no rosto, o corpo inteiro dolorido e a lembrança de que não tínhamos mais 18 anos. Mas a vontade era de voltar para o meio do mato.

Companheira de viagem – apenas esperando a próxima aventura.

Acho que chegou a hora de começar a planejar a próxima empreitada.

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