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Vida atribulada, muitas coisas acontecendo.

Este é só um post para tirar um pouco a poeira do blog, antes da próxima reviravolta que está por vir (e em breve) e que deve servir para eu colocar a vida no rumo certo (se é que isto existe) novamente.

Quem me conhece sabe que eu curto consertar as coisas e no geral eu gosto de fazer isso direito.

Mas tem horas que eu acho que, por motivos diversos, não vale mais à pena.

E o que eu faço é apenas contornar o problema, ainda que de forma funcional, do modo mais preguiçoso possível.

Este foi o caso da torneira do filtro do escritório:

E está lá, há quase uma semana. Firme e forte.

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Privação de sono e direção é uma combinação que sempre me preocupou. Fico angustiado quando alguém que gosto resolve pegar no volante morrendo de sono. A atenção cai muito e a possibilidade de uma “pescada” pode causar um acidente grave.

Não foi bem uma pescada que quase gerou um acidente comigo hoje, mas a falta de atenção que o sono traz, após dormir apenas três horas.

Aproveitei o dia para lavar a minha bicicleta que estava toda enlameada. Desmontei parte das peças, balde e escovinha e lá fui eu dar um tapa na bichinha.

Tudo bem, tudo bonito até que eu resolvo remonta-la. Me distraí e deixei a roda traseira meio frouxa. Pedalando na rua, comecei a sentir uma vibração estranha, mas não conseguia ver o que estava errado.

Vindo em velocidade pela Vergueiro, pedalei mais forte para ultrapassar um ônibus que estava parando e a roda se soltou e travou a catraca no garfo traseiro. A bicicleta simplesmente travou o movimento quase na frente do ônibus que ainda estava freando.

Consegui me equilibrar, direcionar a bicicleta e chegar na calçada sem maiores danos, fora o coração quase saindo pela boca. Não estragou nada, ou quase nada: a tampinha de proteção do eixo de engate rápido caiu no meio da avenida e foi atropelada e esmigalhada.

Perdi totalmente o sono, pois minha adrenalina está no talo agora. Mas fica a lição: se não dormir, não pedale.

forças ocultas agindo de formas misteriosas?

forças ocultas agindo de formas misteriosas?

Demorou, ou não. Ganhei meu batismo de asfalto nesta quinta. Tomei uma fechada de um táxi, sambei no cascalho e beijei o chão.

Eu estava um pouco distraído, isso é verdade. No limite do horário para chegar na aula de dança e com a cabeça ainda cheia com o peso de muitas elucubrações. Se eu estivesse mais atento, talvez tivesse me safado.

Estava descendo a Arthur de Azevedo, na Vila Madalena. Um pouco rápido sim (32km/h) e a região anda em obras, então volta e meia encontram-se trechos com cascalho, areia e outros restos de construção espalhados na pista.

Estava quase chegando na Mateus Grou quando um taxista resolveu acelerar, dar uma buzinada e me ultrapassar, jogando o carro na minha direção para fazer uma conversão à direita. Desviei no susto, desequilibrei, freei para reduzir, mas estava passando em cima de cascalho e areia. Não teve jeito, caí com tudo de lado. O taxista nem viu o que aconteceu, pois já estava virando a esquina.

De imediato, duas sensações. Uma táctil: algo escorria na lateral do meu rosto; outra se sobrevivência: precisava sair do meio da rua para não ser pego por algum carro. Rodei de lado e arrastei a Dahon para a calçada.

Peguei a minha toalha, molhei-a com água da mochila de hidratação e comecei a limpar o sangue do rosto, ralado das mãos e cotovelos. Nada quebrado. A roupa segurou um pouco das escoriações e o capacete cumpriu o seu papel. Mas mesmo com ele, eu estava com um galo enorme do lado da cabeça. Nem quero saber o que poderia ter acontecido sem.

Liguei para a Lelê que estava saindo da aula e fui resgatado. Rotina de hospital, três pontos no supercílio, radiografias, recomendações de como cuidar pela próxima semana. Mesmo assim espero estar bem para o passeio ciclístico noturno da Virada Esportiva neste sábado.

Juro que não quero encarar essa disputa entre motoristas e ciclistas como uma guerra. Serviu de lição para ficar mais atento, identificar melhor as áreas de risco e não abusar. De resto, é continuar pedalando e tentar conscientizar as pessoas.

E fora o que eu regenerarei com o tempo? Acabei tendo sim uma perda material. A bicicleta saiu ilesa, mas não sei aonde foi parar o bendito botão da minha calça…

e ainda descoloriram a sobrancelha com água oxigenada

e ainda descoloriram a sobrancelha com água oxigenada

1ª empreitada noturna - photo by Mario Amaya

1ª empreitada noturna - photo by Mario Amaya

Quando era moleque, andava bastante de bicicleta, mas apenas em casa (que tinha um quintal bem grande) e no parque do Ibirapuera. Nunca havia andado na rua antes.

Logo de cara, fiquei com um tremendo receio de enfrentar o trânsito, ainda mais por não dirigir um carro há mais de 10 anos. No primeiro dia, arrisquei primeiro com a montain bike um passeio curto, de uns 4 km, aqui pelas redondezas. Aproveitei e tracei uma rota com subidas, descidas, tráfego pesado e paralelepípedos. Como primeira experiência, foi bem OK.

Na noite do mesmo dia, após uma boa “botada de pilha” da Verônica, arrisquei ir até a consolação com a Dahon. Era noite, havia trânsito pesado pelo horário de pico e eu estava testando uma bicicleta que tem a estabilidade de um cabrito. Mesmo chegando com a adrenalina no talo, o passeio foi muito bom.

Duas semanas depois, posso dizer que já estou bem confortável andando em meio aos carros. Ganhei uma certa desenvoltura e peguei o jeito de me movimentar de forma mais ágil. Perdi o medo e já não fico mais cheio de adrenalina como antes.

Tem sido muito bom pedalar. A sensação de liberdade, chegando a 40km/h pelas próprias pernas, praticamente solto sem o casco de um carro à minha volta é muito boa. Pedalar no ar fresco da noite, após um dia inteiro de chuva, pelas ruas desertas do Jardins com todas as árvores em volta é uma delícia.

Quando ando com a Dahon, principalmente na região da Paulista, perto da hora do almoço, eu acabo chamando muito a atenção. Já tiveram algumas pessoas que vieram perguntar sobre a bicicleta minúscula, gente simples que ficou impressionada de como ela pode ser compactada, funcionários de empresas que viram uma possibilidade de ir pedalando para o escritório e guardar a bicicleta debaixo da mesa de trabalho. Essa interação com gente estranha é bem divertida.

Para fechar este post, meu primeiro problema de percurso (ocorrido nesta semana), que rendeu este diálogo insólito no meu twitter:

__Tocha__: Primeiro percalço de bicicleta: tive o pneu furado por um grampo de grampeador! Com paciência e a bomba de ar consegui chegar no bike shop.

gusmorabito: pneu furado por um grampo de grampeador? qtas vezes num falei pra não andar de bike dentro do escritório? Hehe

__Tocha__: Ciclismo corporativo foi classificado entre os 17 esportes mais perigosos. Um ciclista morreu após colidir com uma máquina de xerox.

Desta vez eu fui bem malvado, mas é uma das minhas histórias prediletas.

“-Bom dia senhor, aqui é da TVA e temos uma oferta imperdível para o senhor!”

“-Ah, obrigado, mas eu não assisto televisão.”

“-Mas senhor, é uma oferta fantástica, com diversos canais e programação especial.”

“-Obrigado mesmo, mas não assisto televisão.”

“-Mas senhor, a oferta é irrecusável. O senhor poderia dar um único motivo para não aceitar esta promoção?”

Já de saco cheio e querendo cortar a conversa: “-Sim, eu sou cego.”

“-Ai meu Deus! ME DESCULPE!! Tuuu… Tuuu… Tuuu… Tuuu…”

Eu estava no escritório, havia dado problema com uma das linhas de telefone e eu não conseguia achar o número do SAC da Telefonica, nem no site e nem nas listas de papel. Toca a outra linha.

“-Olá! Aqui é do Speedy da Telefonica e temos uma ótima proposta para o senhor.”

“-Perfeito! Era com vocês mesmo que eu queria falar! Tenho uma das linhas de telefone com problemas aqui!”

“-Desculpe-me senhor, mas este é o setor de vendas. O de reparos é em outro número.”

“-Pois é este número mesmo que eu preciso. Você pode me informar?”

“-Sim, por favor anote: …”

“-Muito obrigado, vou ligar lá já.”

“-A Telefonica é que agradece e tenha uma boa noite.”

No final das contas, foi uma bela esquiva. Fico imaginando o atendente tomando consciência de que ele não conseguiu me vender nada e ainda fez o serviço de outro setor da empresa.

Bom, mais uns contos de telemarketing, estes um pouco mais antigos. Na verdade eu tenho uma verdadeira saga de interação com esta sofrida classe trabalhadora.

Algumas vezes eu simplesmente tento me desvencilhar quando estou corrido, e falo que o “Sr. André” não está em casa. Algumas vezes funciona, outras eu tenho que reforçar um pouco.

“- Bom dia. O Sr. André por favor?”

“-Ele não está no momento. Quem gostaria?”

“-Aqui é da Legião da Boa Vontade. Quem está falando?”

“-É… (primeiro nome que vem na cabeça) Carlos. Meu nome é Carlos.”

“-E o senhor é o que do Sr. André?”

“-Bom (isso já demorou demais, hora de resolver o problema)… Eu sou o marido dele.”

“Ah! Obrigado.”  Tuuu… Tuuu… Tuuu… Tuuu…

Agora que estou em meu “interlúdio profissional”, tirei uns dias para ajeitar algumas coisas pendentes. Uma delas foi a casa.

Comecei uma pequena reforma que está arquivada a mais de um ano. O bom é que organizar o espaço sempre me trás uma sensação boa. É como botar as coisas dentro da cabeça em ordem.

Comecei pela pintura. Toca a trabalheira de tirar tudo do lugar, massear e lixar, plástico em tudo para não sujar e diversas mãos de tinta. O pior: adoro pintar miniaturas, mas pintar paredes é uma das coisas que acho mais chatas de fazer.

E os gatos ficam loucos com o caos instaurado. A parte mais difícil é mante-los longe da área de trabalho para não ter que ficar limpando patinhas de tinta espalhadas pela casa. Quase tive que usar meios alternativos de contenção…

"O que você pensa que vai fazer com isso, sr. humano?"

"O que você pensa que vai fazer com isso, sr. humano?"

Novamente o telemarketing, sempre, onipresente.

-“Bom dia senhor, sou da NET e tenho uma ótima proposta para o senhor, agora que o speedy não pode mais fornecer serviços adequados para os usuários, que tal o senhor adquirir nosso plano de internet com desconto?”

-“Mas eu já sou cliente da NET, já utilizo o Vírtua. Mas se quiserem me dar um desconto mesmo assim eu aceito.”

-“Podemos oferecer o plano de internet mais o NETfone para o senhor!”

-“Mas eu já tenho o telefone incluso no meu plano.”

-“Podemos incluir a TV a cabo no pacote.”

-“Mas, mas, eu já possuo TV no pacote também.”

-“Então sinto muito senhor, não possuo mais nada a oferecer.”

De longe foi uma das tentativas de venda mais incompetentes que eu já vi…

Aconteceu agora a pouco. Uma dessas peculiaridades de São Paulo, mas que chega a beirar o ridículo.

Hoje, por conta da chuva e da véspera do feriado, tivemos mais um dia de trânsito caótico na cidade. Resolvi encarar o congestionamento mesmo assim para ir ao treino de Aikido.

Cheguei na Teodoro Sampaio e eis que surge o meu ônibus predileto: o Aclimação, que sobe até a Doutor Arnaldo, corta a Av. Paulista inteira e me deixa a meio quarteirão da minha casa. Pena que hoje eu teria que saltar dele antes para chegar no meu treino, mas não imaginava que teria que saltar tão antes.

Trinta minutos foi o tempo que o ônibus demorou para subir meia dúzia de quarteirões e cruzar a Henrique Schaumann. Tudo absolutamente parado. Resolvo descer e caminhar até o dojo na esperança de conseguir treinar.

Subi a Teodoro até o metro Clínicas, atravessei por trás do Hospital, cruzei a passarela da Rebouças, passei ao lado do O´Malleys e consegui chegar na Augusta, mas já estava bem atrasado. Até entrar e me trocar, já teria perdido mais de um terço do treino. Ainda arrisquei ir até o dojo e dar uma olhada, mas pelas janelas já dava para ver que eu havia perdido toda a parte inicial. Desencanei e resolvi subir até a Livraria Cultura.

Lá dentro, fui com calma, passei pela Livraria toda, achei a sessão que eu queria, peguei quatro livros sobre o assunto, folheei-os todos e escolhi dois deles. Passei no caixa e tomei o rumo de casa. Ao sair na frente do Conjunto Nacional vejo a cena mais absurda: a Paulista estava sem trânsito! Resolvi que valeria a pena arriscar pegar outro ônibus ao invés do metro. De cara eu vejo a sorte grande: outro Aclimação! Me deixaria ao lado de casa.

Ao entrar, o susto: era o mesmo ônibus que eu havia tomado antes. Mesmo motorista, mesmo cobrador. Inclusive paguei a passagem novamente (o bilhete único deveria marcar R$ 0,00 na tarifa se fosse outro ônibus, mas cobrou os R$ 2,30). Cinqüenta minutos depois eu pego o mesmo ônibus!!

Mas o absurdo não termina aí. A Paulista estava totalmente liberada e o ônibus veio numa reta só, passando o metro Paraíso em tempo recorde. Da entrada do Conjunto Nacional até a porta do meu apartamento foram exatos nove minutos. NOVE MINUTOS!!!

Definitivamente eu não entendo o trânsito desta cidade. Existem bolsões de caos e de tranqüilidade espalhados de forma aleatória pela malha urbana. Não faz sentido, a não ser que existam singularidades quânticas perdidas por aí.