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Desde sempre eu fui uma pessoa de agir e resolver as coisas. Sempre lembro de que, quando precisava construir algo com uma certa urgência (como algum cenário para teatro), não me importava em arrancar uma peça de algum outro objeto e resolver o problema. Depois eu me preocupava com o objeto que havia ficado perneta.

Por conta disso, momentos como este que estou, de transição e mudança em diversas áreas da minha vida, me deixam incomodado. Estou preparando muita coisa, arrumando muita coisa, entendendo e sentindo um outro tanto. Mas as coisas em si estão incompletas e não sei aonde eu consigo as peças para finaliza-las.

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Meu psicólogo usou uma metáfora interessante uma vez. Das mudanças como sendo uma troca de poltronas.

Você está confortável na sua poltrona, mas ela já está meio capenga para você. Ou o estofado está ruim, ou ela está bamba, ou a posição já não é a melhor. Você então se dá conta de que você na verdade não se sente confortável, mas está acomodado naquela poltrona e nem para e pensa que pode achar uma poltrona mais adequada.

Ou você pode aceitar e ficar daquele jeito para sempre ou levantar e procurar outra poltrona. Se você acha outra fácil e tem certeza da escolha, melhor para você. Você se senta e continua confortavelmente a sua vida.

Mas por vezes você não encontra a poltrona ideal (ou pelo menos acha que não encontra) e tem que passar um bom tempo de pé. Por vezes a poltrona ideal está ocupada. Por vezes ela não existe ou você não sabe onde ela está. Por vezes, você fica apenas na dúvida de decidir por qual delas.

É nesta hora que você se cansa e de repente a poltrona antiga parece novamente confortável. E aí você corre o risco de voltar para ela e perder a sua busca.

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A grande questão é que não estou cansado, mas sim ansioso por resolver tudo. Detesto coisas não resolvidas, pois me travam em outras áreas. Preciso muito estar confortável nas poltronas novas, nem que eu tenha que construí-las para isso.

Trilhos2

Pela janela passa uma profusão de verdes, amarelos, marrons, vermelhos.

A mancha do outono é limitada ao fundo pela linha branca dos alpes.

O ruído ritmado das rodas metálicas sobre os trilhos,

marca ao fundo o sacolejar e ranger do trem.

No ar, o aroma de fumo e o cantar arredondado de outra língua.

A incursão solitária pelo interior da França, traça um paralelo

com o encontro solitário comigo mesmo.

Meu tempo, meu espaço, minhas dúvidas, minhas decisões.

Estive à deriva. Agora estou novamente sobre trilhos.

Pateta_motorista

Quando comentei sobre a “tentativa de homicídio” pela qual passei, pairou no ar se eu estava sendo excessivamente dramático, se o motorista não estava simplesmente bêbado, etc, etc. Como eu falei nos comentários, sim, essa é uma possibilidade.

Mas me surpreendeu no final de semana, quando comentei do assunto com outras pessoas.

Meu irmão me contou o caso do pai de uma ex-namorada dele. Homem pacato e tranqüilo que na casa era submisso à esposa. Quando ele entrava no carro se transformava totalmente, como o Pateta no desenho animado, e usava o veículo para compensar a repressão no lar. Além de ser extremamente agressivo no trânsito, um dos hábitos que ele tinha era de bater com o espelho lateral em pedestres e ciclistas que estavam na rua, com a justificativa que ele estava “educando” que a rua era o lugar para os carros.

Uma outra amiga comentou que quando leu o meu post anterior lembrou de um livro que leu há tempos: “Feliz Ano Novo” do Rubens Fonseca. Um dos contos do livro, ”Passeio Noturno”, falava justamente de um homem cujo “passatempo” era atropelar pessoas à noite em ruas desertas.

Pesquisas sérias indicam que pelo menos 4% da população possui algum tipo de distúrbio psicótico ou sociopático, que variam de leve até um nível bem grave. Não é de se estranhar esbarrar com algumas dessas pessoas no nosso dia a dia e nem nos darmos conta disso.

Bom, deixo aqui o filme “educativo” de como funciona o comportamento de certas pessoas no trânsito, pela ótica do Pateta:

A cada um.
Aos que estão sempre presentes.
Aos ausentes.
Aos próximos.
Aos distantes.
Aos que me seqüestram para os botecos.
Aos que encontro sem querer no metro.
Aos que dividem o almoço em um dia chuvoso.
Aos que se preocupam.
Aos novos.
Aos que já foram um dia.
Aos que passam horas ao telefone no meio da madrugada.
Aos que trocam um e-mail eventual.
Aos que ensino coisas, e com quais aprendo muito.
Aos que nunca perderam a esperança.
E aos que me ajudam a não perder a minha.

Sem vocês, boa parte das coisas perderia o sentido, ou pelo menos grande parte da graça.

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So no one told you life was going to be this way.
Your job’s a joke, you’re broke, you’re love life’s DOA.
It’s like you’re always stuck in second gear,
Well, it hasn’t been your day, your week, your month, or even your year.

But, I’ll be there for you, when the rain starts to pour.
I’ll be there for you, like I’ve been there before.
I’ll be there for you, cause you’re there for me too.

You’re still in bed at ten, the work began at eight.
You’ve burned your breakfast, so far, things are going great.
Your mother warned you there’d be days like these,
But she didn’t tell you when the world has brought you down to your knees.

That, I’ll be there for you, when the rain starts to pour.
I’ll be there for you, like I’ve been there before.
I’ll be there for you, cause you’re there for me too.

No one could ever know me, no one could ever see me.
Seems like you’re the only one who knows what it’s like to be me.
Someone to face the day with, make it through all the rest with,
Someone I’ll always laugh with, even at my worst, I’m best with you.

It’s like you’re always stuck in second gear,
Well, it hasn’t been your day, your week, your month, or even your year.

But, I’ll be there for you, when the rain starts to pour.
I’ll be there for you, like I’ve been there before.
I’ll be there for you, cause you’re there for me too.

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Sem vocês, eu só poderia contar com uma coisa: U-na-gi!

evil eyes_small

Eu tendo a não acreditar que existam pessoas realmente más. Sempre tento ver atitudes extremadas como fruto de situações limites. Mas tem momentos que eu descarto esta visão otimista e acredito que a maldade é algo realmente inerente a certas pessoas.

Ontem de noite ocorreu um desses momentos.

Estava voltando de um jantar com amigos na região de Perdizes. Estava subindo a Apinajés em direção à Alfonso Bovero. Como o trecho no local é extremamente inclinado, não tinha como subir montado na bicicleta, então estava a pé, empurrando ela do meu lado rua acima, junto à fileira de carros estacionados.

A rua estava vazia por conta do horário avançado e não estava passando nenhum carro. Comecei a ouvir a aproximação de um carro por trás, estava com o som ligado bem alto. Não sei porque, algo me falou para sair da rua. Havia um espaço entre os carros e eu simplesmente suspendi a bicicleta e pulei para o lado.

Foi a minha sorte. O motorista estava vindo em cheio para me acertar com o carro. Aparentemente ele se distraiu com o meu salto para o lado, não controlou direito o carro e chapou na lateral do carro estacionado em frente, arrancando fora o espelhinho lateral que voou longe. Ele nem parou e continuou em frente.

Não tive reação na hora. Fiquei abestalhado com a atitude gratuita do indivíduo. Nem me veio à cabeça anotar a placa nem nada.

Fico pensando como isso é possível. Como as pessoas podem ter atos de maldade com desconhecidos de forma tão fria. Como lidar com essa psicopatia que existe ao nosso redor, que nem nos damos conta? Desta vez tive sorte.

faceless

Como falei anteriormente, um dos pontos altos de se andar com a Dahon é a interação que tenho com as outras pessoas. A mais comum tem sido quando vou a algum restaurante ou bar, paro em frente, dobro a bicicleta e entro no local. Invariavelmente os funcionários da casa e até os donos acabam vindo conversar comigo. Quem sabe um dia ainda ganho um desconto na conta por isso.

Mas na semana passada, antes do acidente, aconteceu algo que achei interessante. Fui visitar uma amiga, já tarde da noite, parei em frente ao prédio e enquanto o porteiro interfonava, transmutei a bicicleta.

O porteiro ficou fascinado. Quando parei ao lado da guarita ele abriu a janela e começou a conversar entusiasmado comigo. Ele também havia utilizado bicicletas como meio de transporte em São Paulo anos atrás, mas desistiu por conta do risco. Mesmo sendo uma pessoa simples, ficamos um tempo conversando dos problemas de São Paulo, dos riscos de se pedalar, comportamento no trânsito, melhorias que poderiam ser implementadas, etc.

A conversa durou uns bons 15 minutos, quando ele “percebeu” que estava fazendo “algo errado”. Pelo prédio possuir um certo padrão, teoricamente os funcionários não deveriam interagir desta forma com os visitantes. Me pediu desculpas por ter sido tão inoportuno, por deixar a empolgação tomar conta e me prender por tanto tempo. Tranqüilizei-o dizendo que foi opção minha e que se a conversa não tivesse sido boa, eu não teria ficado tanto tempo lá com ele.

Talvez este seja um dos problemas. Não estou falando da pontualidade de problemas como transporte por bicicleta ou divisão social, mas da comunicação entre as pessoas. Creio que parte dos problemas do mundo se resolveria de forma mais simples se conversássemos mais com os outros, conhecidos ou não, cultos ou não.

Vivemos em comunidade e devemos fazer isso valer. Não somos ilhas.

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Foi um acidente, tomei um sustão, ganhei algumas marcas de batalha, repensei alguns detalhes de como devo lidar com as bicicletas em São Paulo. Mas o que ficou mesmo disso tudo?

Nem 24 horas depois do acidente eu já estava na bicicleta novamente. Usei-a para resolver umas coisas na parte da tarde e para sair com amigos de noite. Por que é assim que sempre deve ser: a gente cai e se levanta em seguida.

Vivemos riscos em tudo em nossa vida. Como no caso da bicicleta, sabemos deles de antemão. A questão é vermos se o que queremos vale este risco e se vale, não devemos temer a busca.

Ostento minhas cicatrizes com orgulho. Provas de que me entreguei de verdade.

Continuarei meu caminho. Alguém me acompanha em uma volta?

“Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado: pensava que, somando as compreensões, eu amava. Não sabia que, somando as incompreensões é que se ama verdadeiramente.”
............................................................................................Clarice Lispector


Assim como ocorreu com o Mário Quintana, esta semana foi o texto da Clarice que me seguiu em lugares diversos.

Fiquei pensando sobre o assunto. Certa feita, uma amiga definiu que os relacionamentos funcionam baseados nos defeitos que a outra pessoa tem. Um relacionamento só funciona se os defeitos da outra pessoa são toleráveis. As qualidades são apenas um bônus.

Achei que era uma visão pessimista. Mas mesmo sendo pessimista, acho que ela me levou a refletir sobre o assunto. Cheguei a conclusão de que os relacionamentos funcionam com base nas peculiaridades de cada um e a importância que o outro atribui a elas.

Todos possuem peculiaridades, que podem ser consideradas defeitos ou qualidades dependendo a forma como se encara. A questão é vermos quais destas peculiaridades são importantes para nós, quais achamos ruins e quais são indiferentes. Não creio que exista um parâmetro para definir se algo funciona ou não com base neste critério, pois isso varia de pessoa para pessoa, mas temos que ver o que é interessante para nós ou não.

Como tudo, existem as variáveis que interferem nesta teoria. Pessoas ficam juntas pelos mais diferentes motivos, motivos que variam entre amor, interesse, comodidade, desejo… Mas talvez o fator que mais “atrapalhe” seja um só: o medo.

Muitos têm medo de ficar sozinhos e por conta disso se agarram ao que está próximo como única possibilidade de felicidade e esquecem de duas coisas importantes:
– não precisamos de outra pessoa para sermos felizes. Devemos ser felizes por nós mesmos. Estar com a outra pessoa deve ser uma opção;
– existem 6,5 bilhões de pessoas no mundo. Mesmo se dividirmos este número pela metade, baseado na preferência tradicional de gênero, ainda são mais de 3 bilhões de possibilidades de dar certo.

No final, com ou sem matemática, teorizando ou não, a resposta da equação é simples: temos que ser felizes, não importa a forma que escolhemos para isso. Temos (aparentemente) apenas uma vida, que não é muito longa, para buscarmos a nossa felicidade. Busque-a então.

Existem momentos na vida que nos levam a repensar nossos valores. Normalmente momentos de quebra e sofrimento aonde tudo o que somos deixa de fazer sentido e precisamos reavaliar nossa vida como um todo. Existem alguns destes momentos nos quais parte dos sonhos morre, parte da inocência e visão de mundo utópica vai embora para sempre.

Para mim, o ano passado foi um desses momentos. Algo meu morreu lá.

Parte da minha confiança incondicional nas pessoas ficou para trás. Parte da crença nas amizades eternas, no respeito pelo outro, na minha própria valia se perdeu.

Hoje eu consegui recuperar parte disso, mas ficaram ensinamentos, principalmente quanto às amizades. Listo os mais importantes:

– Descobri que tenho menos amigos do que imaginava. Tenho muitos bons conhecidos e colegas, mas amigos, daqueles que eu posso contar e confiar para qualquer situação, daqueles que posso ligar no meio da madrugada em angústia e ter uma palavra de apoio e um suporte verdadeiro, estes são poucos.

– As pessoas são o que elas são. Não é porque ela é sua amiga (ou você acredita que é sua amiga) que ela vai agir diferente do que ela age com as outras pessoas e situações na vida. Talvez ela amenize algumas características indesejáveis, mas na hora que algo grave acontece, ela vai agir do mesmo jeito que sempre agiu.

– Não importa o quanto as pessoas te conheçam, não importa quanto tempo vocês tenham vivido juntos, não importa a forma que você age na sua vida como um todo: você sempre pode ser mal interpretado e julgado por algo que você não é, dependendo ou não dos interesses em jogo.

Mas como todo momento difícil, se optarmos por vê-lo como uma oportunidade de crescimento e mudança, podemos transmutar todo o sofrimento em algo bom. Com tudo o que ocorreu, tive a chance de me reaproximar de amizades verdadeiras que estavam mais afastadas, reatar o contato com pessoas que haviam ficado longe e reforçar o vínculo com novos amigos que surgiram na minha vida.

Na semana passada, uma amiga que voltei a ter contato me falou algo que ajudou a retomar o valor que vejo na amizade. Meses atrás, ela passou por uma fase de mudanças difíceis e quando eu soube o que estava ocorrendo, fui direto ver como ela estava. Revendo agora, ela falou que a minha preocupação naquele momento lá atrás foi uma das coisas que realmente ajudaram-na a superar o que havia ocorrido. O simples fato de que eu estava lá quando ela precisou, depois de anos de afastamento, serviu para que visse que não estava sozinha.

Mas outro acontecimento recente me fez refletir sobre o distanciamento que acabamos tendo das pessoas que realmente importam. Por vezes nos perdemos com problemas menores do nosso cotidiano e esquecemos delas. Um amigo soube recentemente do falecimento súbito de uma amiga que estava afastada. Momentos que poderiam ter sido compartilhados se perderam e não vão mais retornar.

Com tudo isso, aprendi a dar valor a quem realmente importa e decidi ser mais presente para estas pessoas, afinal é possível que não se tenha uma segunda chance de mostrar o quanto elas são importantes para mim.

Fecho o post com uma música do Renato Russo, do álbum “The Stonewall Celebration Concert”. A letra original era um pouco diferente e destinada a outro gênero, mas eu prefiro infinitamente a versão dele.

– – –

“If Tomorrow Never Comes”

Sometimes late at night
I lie awake and watch him sleeping
He’s lost in peaceful dreams
So I turn out the lights and lay there in the dark
And the thought crosses my mind
If I never wake up in the morning
Would he ever doubt the way I feel
About him in my heart

If tomorrow never comes
Will he know how much I loved him
Did I try in every way to show him every day
That he’s my only one
And if my time on earth were through
And he should face this world without me
Is the love I gave him in the past
Gonna be enough to last
If tomorrow never comes

‘Cause I’ve lost loved ones in my life
Who never knew how much they mean to me
Now I live with the regret
That my true feelings for them
never were revealed
So I made a promise to myself
To say each day how much they mean to me
And avoid the circumstance
Where there’s no second chance to tell him
how I feel

If tomorrow never comes
Will he know how much I loved him
Did I try in every way to show him every day
That he’s my only one
And if my time on earth were through
And he should face this world without me
Is the love I gave him in the past
Gonna be enough to last
If tomorrow never comes

So tell that someone that you love
Just what you’re thinking of
If tomorrow never comes

– – –

If tomorrow never comes…

Perpetuos

os perpétuos - clique para ampliar

Bom, esta é uma semana produtiva em termos de textos. É assim mesmo. Semanas de idéias e criação e semanas de ócio pensando. Opostos, mas complementares.

Novamente vou citar o Sandman, desta vez um diálogo que ele tem com seu irmão Destruição, outro dos Perpétuos. O texto é da série “Vidas Breves” e é um dos que mais ficou gravado na minha memória:

– – –

Destruição:

“Cumpri o meu papel mais do que adequadamente por dez bilhões de anos, uma moeda de dois lados: destruição é necessária. Nada novo pode existir sem a destruição do velho.”

“As coisas são criadas, duram por algum tempo e desaparecem. Impérios, cidades, poemas e pessoas. Átomos e mundos.”

Ninguém pode iniciar um sonho sem abandonar o último, não é, meu irmão?”

Nossa irmã (Morte) define a vida, assim como Desespero a esperança, ou Desejo a ojeriza, ou Destino a liberdade.”

Sonho: “E o que eu defino pela sua teoria?”

Destruição: “Realidade, talvez?”

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