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Desde sempre eu fui uma pessoa de agir e resolver as coisas. Sempre lembro de que, quando precisava construir algo com uma certa urgência (como algum cenário para teatro), não me importava em arrancar uma peça de algum outro objeto e resolver o problema. Depois eu me preocupava com o objeto que havia ficado perneta.

Por conta disso, momentos como este que estou, de transição e mudança em diversas áreas da minha vida, me deixam incomodado. Estou preparando muita coisa, arrumando muita coisa, entendendo e sentindo um outro tanto. Mas as coisas em si estão incompletas e não sei aonde eu consigo as peças para finaliza-las.

– – –

Meu psicólogo usou uma metáfora interessante uma vez. Das mudanças como sendo uma troca de poltronas.

Você está confortável na sua poltrona, mas ela já está meio capenga para você. Ou o estofado está ruim, ou ela está bamba, ou a posição já não é a melhor. Você então se dá conta de que você na verdade não se sente confortável, mas está acomodado naquela poltrona e nem para e pensa que pode achar uma poltrona mais adequada.

Ou você pode aceitar e ficar daquele jeito para sempre ou levantar e procurar outra poltrona. Se você acha outra fácil e tem certeza da escolha, melhor para você. Você se senta e continua confortavelmente a sua vida.

Mas por vezes você não encontra a poltrona ideal (ou pelo menos acha que não encontra) e tem que passar um bom tempo de pé. Por vezes a poltrona ideal está ocupada. Por vezes ela não existe ou você não sabe onde ela está. Por vezes, você fica apenas na dúvida de decidir por qual delas.

É nesta hora que você se cansa e de repente a poltrona antiga parece novamente confortável. E aí você corre o risco de voltar para ela e perder a sua busca.

– – –

A grande questão é que não estou cansado, mas sim ansioso por resolver tudo. Detesto coisas não resolvidas, pois me travam em outras áreas. Preciso muito estar confortável nas poltronas novas, nem que eu tenha que construí-las para isso.

Hoje, depois de anos, ouvi “Carry On” do Angra. Adoro a letra, como trata a superação e o tocar em frente, algo que por vezes esquecemos de fazer e nos pomos a andar em círculos tentando entender os acontecimentos da vida. No final tudo é mais simples. As coisas simplesmente começam e terminam. Criação e destruição. Inícios e fins de ciclos. Fora a letra, acho o instrumental animal!

A outra música é do Lenine. De longe, o trabalho dele é um dos que mais gosto na MPB atual. Letras belíssimas aliadas a um instrumental fantástico. “Paciência” reflete meu momento atual, o ponto que consegui parar um pouco na correria da vida, nesse pequeno hiato da loucura acelerada, ver as coisas que realmente tem valor e merecem a minha dedicação.

– – –

Simple minded brain
for now you succumb
Nothing changes your way
This world insists to be the same
based on our mistakes
The flowers fade along the road
Don’t blindfold your eyes,
so loneliness becomes the law
of a senseless life

Follow your steps and you will find
The unknown ways are on your mind
Need nothing else than just your pride
to get there… [go!]

Now we’ll have to face another day
You won’t be alone
This life is forcing us to stay
– For how long?
Cold is the wind and thunder struck
on a stormy night
But can’t you see, I’m by your side
We are marching on!

Follow your steps and you will find
The unknown ways are in your mind
Need nothing else than just your pride
to get there…
So, carry on,
There’s a meaning to life
Which someday we may find…
Carry on, it’s time to forget
The remains from the past, to carry on

Follow your steps and you will find
The unknown ways are on your mind
Need nothing else than just your pride
to get there…

So, carry on,
There’s a meaning to life
Which someday we may find…
Carry on, it’s time to forget
The remains from the past

So, carry on,
There’s a meaning to life
Which someday we may find…
Carry on, it’s time to forget
The remains from the past

Carry on, it’s time to forget
The remains from the past, to carry on
Remains from the past, to carry on
Remains from the past…

– – –

Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
A vida não pára…

Enquanto o tempo
Acelera e pede pressa
Eu me recuso faço hora
Vou na valsa
A vida é tão rara…

Enquanto todo mundo
Espera a cura do mal
E a loucura finge
Que isso tudo é normal
Eu finjo ter paciência…

O mundo vai girando
Cada vez mais veloz
A gente espera do mundo
E o mundo espera de nós
Um pouco mais de paciência…

Será que é tempo
Que lhe falta prá perceber?
Será que temos esse tempo
Prá perder?
E quem quer saber?
A vida é tão rara
Tão rara…

Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
Eu sei, a vida não pára
A vida não pára não…

Será que é tempo
Que lhe falta prá perceber?
Será que temos esse tempo
Prá perder?
E quem quer saber?
A vida é tão rara
Tão rara…

Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
Eu sei, a vida é tão rara
A vida não pára não…

A vida não pára!…
A vida é tão rara!…

Novamente mudanças aproximam-se e uma história de muitos anos está prestes a terminar.

Trago muitas lembranças boas deste período, muitas lições e muito crescimento.

Mas como em tudo, uma hora o ciclo precisa ser encerrado para abrir espaço para o novo.

Hora de fechar as coisas, botar a mala nas costas e o pé na estrada.

E que venha o que o acaso desejar.

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