Desde sempre eu fui uma pessoa de agir e resolver as coisas. Sempre lembro de que, quando precisava construir algo com uma certa urgência (como algum cenário para teatro), não me importava em arrancar uma peça de algum outro objeto e resolver o problema. Depois eu me preocupava com o objeto que havia ficado perneta.

Por conta disso, momentos como este que estou, de transição e mudança em diversas áreas da minha vida, me deixam incomodado. Estou preparando muita coisa, arrumando muita coisa, entendendo e sentindo um outro tanto. Mas as coisas em si estão incompletas e não sei aonde eu consigo as peças para finaliza-las.

– – –

Meu psicólogo usou uma metáfora interessante uma vez. Das mudanças como sendo uma troca de poltronas.

Você está confortável na sua poltrona, mas ela já está meio capenga para você. Ou o estofado está ruim, ou ela está bamba, ou a posição já não é a melhor. Você então se dá conta de que você na verdade não se sente confortável, mas está acomodado naquela poltrona e nem para e pensa que pode achar uma poltrona mais adequada.

Ou você pode aceitar e ficar daquele jeito para sempre ou levantar e procurar outra poltrona. Se você acha outra fácil e tem certeza da escolha, melhor para você. Você se senta e continua confortavelmente a sua vida.

Mas por vezes você não encontra a poltrona ideal (ou pelo menos acha que não encontra) e tem que passar um bom tempo de pé. Por vezes a poltrona ideal está ocupada. Por vezes ela não existe ou você não sabe onde ela está. Por vezes, você fica apenas na dúvida de decidir por qual delas.

É nesta hora que você se cansa e de repente a poltrona antiga parece novamente confortável. E aí você corre o risco de voltar para ela e perder a sua busca.

– – –

A grande questão é que não estou cansado, mas sim ansioso por resolver tudo. Detesto coisas não resolvidas, pois me travam em outras áreas. Preciso muito estar confortável nas poltronas novas, nem que eu tenha que construí-las para isso.

Anúncios