Este post já está atrasado em mais de uma semana, mas por conta da correria das coisas para viagem, ele foi deixado de lado. Aproveitando que estou aqui visitando o menino pequeno, vou coloca-lo no ar.

Nesta estada do Marcos em São Paulo, aproveitamos para pedalar juntos. Uma das surpresas legais foi ir ao Ibirapuera e entrar em um lugar que sempre tive curiosidade de conhecer : o Viveiro Manequinho Lopez.

O lugar é bem legal, com diversas estufas antigas de plantas. Como estamos no começo da primavera (pelo menos aí no hemisfério sul), estava tudo muito florido e bonito.

E com a volta do Marcos para a Suiça, tive mais uma surpresa legal: ele deixou a bicicleta dele (que é muito melhor que a minha) comigo no Brasil. Finalmente vou ter uma bcicleta boa para as viagens de aventura futuras.

Pateta_motorista

Quando comentei sobre a “tentativa de homicídio” pela qual passei, pairou no ar se eu estava sendo excessivamente dramático, se o motorista não estava simplesmente bêbado, etc, etc. Como eu falei nos comentários, sim, essa é uma possibilidade.

Mas me surpreendeu no final de semana, quando comentei do assunto com outras pessoas.

Meu irmão me contou o caso do pai de uma ex-namorada dele. Homem pacato e tranqüilo que na casa era submisso à esposa. Quando ele entrava no carro se transformava totalmente, como o Pateta no desenho animado, e usava o veículo para compensar a repressão no lar. Além de ser extremamente agressivo no trânsito, um dos hábitos que ele tinha era de bater com o espelho lateral em pedestres e ciclistas que estavam na rua, com a justificativa que ele estava “educando” que a rua era o lugar para os carros.

Uma outra amiga comentou que quando leu o meu post anterior lembrou de um livro que leu há tempos: “Feliz Ano Novo” do Rubens Fonseca. Um dos contos do livro, ”Passeio Noturno”, falava justamente de um homem cujo “passatempo” era atropelar pessoas à noite em ruas desertas.

Pesquisas sérias indicam que pelo menos 4% da população possui algum tipo de distúrbio psicótico ou sociopático, que variam de leve até um nível bem grave. Não é de se estranhar esbarrar com algumas dessas pessoas no nosso dia a dia e nem nos darmos conta disso.

Bom, deixo aqui o filme “educativo” de como funciona o comportamento de certas pessoas no trânsito, pela ótica do Pateta:

A cada um.
Aos que estão sempre presentes.
Aos ausentes.
Aos próximos.
Aos distantes.
Aos que me seqüestram para os botecos.
Aos que encontro sem querer no metro.
Aos que dividem o almoço em um dia chuvoso.
Aos que se preocupam.
Aos novos.
Aos que já foram um dia.
Aos que passam horas ao telefone no meio da madrugada.
Aos que trocam um e-mail eventual.
Aos que ensino coisas, e com quais aprendo muito.
Aos que nunca perderam a esperança.
E aos que me ajudam a não perder a minha.

Sem vocês, boa parte das coisas perderia o sentido, ou pelo menos grande parte da graça.

.

So no one told you life was going to be this way.
Your job’s a joke, you’re broke, you’re love life’s DOA.
It’s like you’re always stuck in second gear,
Well, it hasn’t been your day, your week, your month, or even your year.

But, I’ll be there for you, when the rain starts to pour.
I’ll be there for you, like I’ve been there before.
I’ll be there for you, cause you’re there for me too.

You’re still in bed at ten, the work began at eight.
You’ve burned your breakfast, so far, things are going great.
Your mother warned you there’d be days like these,
But she didn’t tell you when the world has brought you down to your knees.

That, I’ll be there for you, when the rain starts to pour.
I’ll be there for you, like I’ve been there before.
I’ll be there for you, cause you’re there for me too.

No one could ever know me, no one could ever see me.
Seems like you’re the only one who knows what it’s like to be me.
Someone to face the day with, make it through all the rest with,
Someone I’ll always laugh with, even at my worst, I’m best with you.

It’s like you’re always stuck in second gear,
Well, it hasn’t been your day, your week, your month, or even your year.

But, I’ll be there for you, when the rain starts to pour.
I’ll be there for you, like I’ve been there before.
I’ll be there for you, cause you’re there for me too.

.

.

Sem vocês, eu só poderia contar com uma coisa: U-na-gi!

evil eyes_small

Eu tendo a não acreditar que existam pessoas realmente más. Sempre tento ver atitudes extremadas como fruto de situações limites. Mas tem momentos que eu descarto esta visão otimista e acredito que a maldade é algo realmente inerente a certas pessoas.

Ontem de noite ocorreu um desses momentos.

Estava voltando de um jantar com amigos na região de Perdizes. Estava subindo a Apinajés em direção à Alfonso Bovero. Como o trecho no local é extremamente inclinado, não tinha como subir montado na bicicleta, então estava a pé, empurrando ela do meu lado rua acima, junto à fileira de carros estacionados.

A rua estava vazia por conta do horário avançado e não estava passando nenhum carro. Comecei a ouvir a aproximação de um carro por trás, estava com o som ligado bem alto. Não sei porque, algo me falou para sair da rua. Havia um espaço entre os carros e eu simplesmente suspendi a bicicleta e pulei para o lado.

Foi a minha sorte. O motorista estava vindo em cheio para me acertar com o carro. Aparentemente ele se distraiu com o meu salto para o lado, não controlou direito o carro e chapou na lateral do carro estacionado em frente, arrancando fora o espelhinho lateral que voou longe. Ele nem parou e continuou em frente.

Não tive reação na hora. Fiquei abestalhado com a atitude gratuita do indivíduo. Nem me veio à cabeça anotar a placa nem nada.

Fico pensando como isso é possível. Como as pessoas podem ter atos de maldade com desconhecidos de forma tão fria. Como lidar com essa psicopatia que existe ao nosso redor, que nem nos damos conta? Desta vez tive sorte.

faceless

Como falei anteriormente, um dos pontos altos de se andar com a Dahon é a interação que tenho com as outras pessoas. A mais comum tem sido quando vou a algum restaurante ou bar, paro em frente, dobro a bicicleta e entro no local. Invariavelmente os funcionários da casa e até os donos acabam vindo conversar comigo. Quem sabe um dia ainda ganho um desconto na conta por isso.

Mas na semana passada, antes do acidente, aconteceu algo que achei interessante. Fui visitar uma amiga, já tarde da noite, parei em frente ao prédio e enquanto o porteiro interfonava, transmutei a bicicleta.

O porteiro ficou fascinado. Quando parei ao lado da guarita ele abriu a janela e começou a conversar entusiasmado comigo. Ele também havia utilizado bicicletas como meio de transporte em São Paulo anos atrás, mas desistiu por conta do risco. Mesmo sendo uma pessoa simples, ficamos um tempo conversando dos problemas de São Paulo, dos riscos de se pedalar, comportamento no trânsito, melhorias que poderiam ser implementadas, etc.

A conversa durou uns bons 15 minutos, quando ele “percebeu” que estava fazendo “algo errado”. Pelo prédio possuir um certo padrão, teoricamente os funcionários não deveriam interagir desta forma com os visitantes. Me pediu desculpas por ter sido tão inoportuno, por deixar a empolgação tomar conta e me prender por tanto tempo. Tranqüilizei-o dizendo que foi opção minha e que se a conversa não tivesse sido boa, eu não teria ficado tanto tempo lá com ele.

Talvez este seja um dos problemas. Não estou falando da pontualidade de problemas como transporte por bicicleta ou divisão social, mas da comunicação entre as pessoas. Creio que parte dos problemas do mundo se resolveria de forma mais simples se conversássemos mais com os outros, conhecidos ou não, cultos ou não.

Vivemos em comunidade e devemos fazer isso valer. Não somos ilhas.

01

Esta semana fui com o Rique ao centro da cidade para um safári fotográfico rápido, um almoço no Café Girondino e um bate papo descompromissado.

Dentre os locais que passamos, conseguimos finalmente subir ao mirante do Banespa (que agora é Edifício Altino Arantes depois da compra pelo Satander). Na foto que abre este post temos uma vista do edifício, de dentro das portas do Mosteiro de São Bento.

A vista é linda: 360 graus em um ponto privilegiado, aonde se vê em dias claros a até 40 quilômetros de distância. Uma pena que o dia estava nublado e chuvoso e que eu só levei meu celular para fotografar. Combinamos de voltarmos lá em um dia ensolarado e munidos de equipamento técnico adequado.

Abaixo algumas das fotos lá de cima, pelo menos as menos piores que eu consegui dadas as condições (clique para ampliar):

bike_fall_3

Foi um acidente, tomei um sustão, ganhei algumas marcas de batalha, repensei alguns detalhes de como devo lidar com as bicicletas em São Paulo. Mas o que ficou mesmo disso tudo?

Nem 24 horas depois do acidente eu já estava na bicicleta novamente. Usei-a para resolver umas coisas na parte da tarde e para sair com amigos de noite. Por que é assim que sempre deve ser: a gente cai e se levanta em seguida.

Vivemos riscos em tudo em nossa vida. Como no caso da bicicleta, sabemos deles de antemão. A questão é vermos se o que queremos vale este risco e se vale, não devemos temer a busca.

Ostento minhas cicatrizes com orgulho. Provas de que me entreguei de verdade.

Continuarei meu caminho. Alguém me acompanha em uma volta?

forças ocultas agindo de formas misteriosas?

forças ocultas agindo de formas misteriosas?

Demorou, ou não. Ganhei meu batismo de asfalto nesta quinta. Tomei uma fechada de um táxi, sambei no cascalho e beijei o chão.

Eu estava um pouco distraído, isso é verdade. No limite do horário para chegar na aula de dança e com a cabeça ainda cheia com o peso de muitas elucubrações. Se eu estivesse mais atento, talvez tivesse me safado.

Estava descendo a Arthur de Azevedo, na Vila Madalena. Um pouco rápido sim (32km/h) e a região anda em obras, então volta e meia encontram-se trechos com cascalho, areia e outros restos de construção espalhados na pista.

Estava quase chegando na Mateus Grou quando um taxista resolveu acelerar, dar uma buzinada e me ultrapassar, jogando o carro na minha direção para fazer uma conversão à direita. Desviei no susto, desequilibrei, freei para reduzir, mas estava passando em cima de cascalho e areia. Não teve jeito, caí com tudo de lado. O taxista nem viu o que aconteceu, pois já estava virando a esquina.

De imediato, duas sensações. Uma táctil: algo escorria na lateral do meu rosto; outra se sobrevivência: precisava sair do meio da rua para não ser pego por algum carro. Rodei de lado e arrastei a Dahon para a calçada.

Peguei a minha toalha, molhei-a com água da mochila de hidratação e comecei a limpar o sangue do rosto, ralado das mãos e cotovelos. Nada quebrado. A roupa segurou um pouco das escoriações e o capacete cumpriu o seu papel. Mas mesmo com ele, eu estava com um galo enorme do lado da cabeça. Nem quero saber o que poderia ter acontecido sem.

Liguei para a Lelê que estava saindo da aula e fui resgatado. Rotina de hospital, três pontos no supercílio, radiografias, recomendações de como cuidar pela próxima semana. Mesmo assim espero estar bem para o passeio ciclístico noturno da Virada Esportiva neste sábado.

Juro que não quero encarar essa disputa entre motoristas e ciclistas como uma guerra. Serviu de lição para ficar mais atento, identificar melhor as áreas de risco e não abusar. De resto, é continuar pedalando e tentar conscientizar as pessoas.

E fora o que eu regenerarei com o tempo? Acabei tendo sim uma perda material. A bicicleta saiu ilesa, mas não sei aonde foi parar o bendito botão da minha calça…

e ainda descoloriram a sobrancelha com água oxigenada

e ainda descoloriram a sobrancelha com água oxigenada

Ibira_bike_1

“Se o meu peito fosse um canhão, meu coração teria sido disparado”.

A frase é inspirada no Capitão Ahab, mas o sentimento de hoje à tarde era meu.

Cabeça cheia, me sentindo inquieto e com as paredes de casa me sufocando. O dia estava nublado e frio, a tarde com um ar estático que me sufocava. Resolvi sair sem rumo.

Bicicleta na rua e ladeira abaixo. Saracoteio por algumas ruazinhas e acabo caindo no Ibirapuera. Diferente do domingo ensolarado, hoje o parque estava quase deserto. Pedalei rápido pelas ruas que travavam meu movimento no final de semana.

Uma volta, duas voltas. Vento e ar frio pulsando nas minhas orelhas e lacrimejando meus olhos. Vontade de fazer algo diferente. Enfiei-me então na trilha em meio às árvores na qual costumo correr. Lama e poças, folhas úmidas que escorregavam como sabão, raízes e galhos que precisavam ser saltados.

Esticando a volta, passando em meio ao planetário, achei uma pracinha que nunca havia notado. Resolvo parar, apoiar a bicicleta, tirar umas fotos e conversar com os gansos.

Hora de voltar para casa, em meio a alguns corredores de final de tarde. Subindo em parte pelo caminho já conhecido e em parte explorando ruelas novas e espaços que sempre tive curiosidade de ver quando passava a pé.

Lama e suor por toda roupa, alma mais calma e contida.

Ibira_bike_2 Ibira_bike_3Ibira_bike_4

1ª empreitada noturna - photo by Mario Amaya

1ª empreitada noturna - photo by Mario Amaya

Quando era moleque, andava bastante de bicicleta, mas apenas em casa (que tinha um quintal bem grande) e no parque do Ibirapuera. Nunca havia andado na rua antes.

Logo de cara, fiquei com um tremendo receio de enfrentar o trânsito, ainda mais por não dirigir um carro há mais de 10 anos. No primeiro dia, arrisquei primeiro com a montain bike um passeio curto, de uns 4 km, aqui pelas redondezas. Aproveitei e tracei uma rota com subidas, descidas, tráfego pesado e paralelepípedos. Como primeira experiência, foi bem OK.

Na noite do mesmo dia, após uma boa “botada de pilha” da Verônica, arrisquei ir até a consolação com a Dahon. Era noite, havia trânsito pesado pelo horário de pico e eu estava testando uma bicicleta que tem a estabilidade de um cabrito. Mesmo chegando com a adrenalina no talo, o passeio foi muito bom.

Duas semanas depois, posso dizer que já estou bem confortável andando em meio aos carros. Ganhei uma certa desenvoltura e peguei o jeito de me movimentar de forma mais ágil. Perdi o medo e já não fico mais cheio de adrenalina como antes.

Tem sido muito bom pedalar. A sensação de liberdade, chegando a 40km/h pelas próprias pernas, praticamente solto sem o casco de um carro à minha volta é muito boa. Pedalar no ar fresco da noite, após um dia inteiro de chuva, pelas ruas desertas do Jardins com todas as árvores em volta é uma delícia.

Quando ando com a Dahon, principalmente na região da Paulista, perto da hora do almoço, eu acabo chamando muito a atenção. Já tiveram algumas pessoas que vieram perguntar sobre a bicicleta minúscula, gente simples que ficou impressionada de como ela pode ser compactada, funcionários de empresas que viram uma possibilidade de ir pedalando para o escritório e guardar a bicicleta debaixo da mesa de trabalho. Essa interação com gente estranha é bem divertida.

Para fechar este post, meu primeiro problema de percurso (ocorrido nesta semana), que rendeu este diálogo insólito no meu twitter:

__Tocha__: Primeiro percalço de bicicleta: tive o pneu furado por um grampo de grampeador! Com paciência e a bomba de ar consegui chegar no bike shop.

gusmorabito: pneu furado por um grampo de grampeador? qtas vezes num falei pra não andar de bike dentro do escritório? Hehe

__Tocha__: Ciclismo corporativo foi classificado entre os 17 esportes mais perigosos. Um ciclista morreu após colidir com uma máquina de xerox.